sexta-feira, 17 de abril de 2015

ALERJ REALIZOU AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA TRATAR DA MORTANDADE DE PEIXES NA LAGOA



Deputada Marcia Jeovani apresenta projeto de reuso de água tratada não potável

     Foto: Rafael Gonzaga / Agência Prismanews


A deputada estadual Marcia Jeovani (PR) anunciou nesta terça-feira, dia 14, durante a audiência pública da Comissão de Assuntos Municipais e Desenvolvimento Regional da Alerj, a criação de dois projetos de lei que visam sanar uma das principais causas da mortandade de peixes recentemente constatadas na Lagoa de Araruama e os prejuízos enfrentados pelos pescadores com esse fato.

    Foto: André Barbosa / Ascom Parlamentar 

Presidente da Comissão, a parlamentar reuniu diversas autoridades no auditório Nelson Carneiro para discutir as causas e consequências da mortandade dos peixes e sugeriu uma visita técnica nos municípios para ver de perto as ações das concessionárias e os pontos de estrangulamento da lagoa que necessitam de assoreamento. "Vamos ouvir gestores e sociedade civil. É um problema muito sério, já que a nossa lagoa não é apenas atração turística, mas também fonte de renda para muitas famílias da região e os nossos pescadores sobrevivem dali. A falta de oxigenação da Lagoa é um dos principais problemas e a dragagem do Canal de Itajuru é fundamental, já que a última realização foi em 2008", afirmou a deputada Marcia Jeovani


Leonardo Daemon, gerente de Qualidade das Águas do Inea
De acordo com Leonardo Daemon, gerente de Qualidade das Águas do Inea, os casos da mortandade de peixes nas Lagoas do Estado do Rio, a exemplo de Araruama e Rodrigo de Freitas, são esperados em determinadas estações do ano: “As lagoas do nosso estado em todo o verão sofrem esse episódio da mortandade de peixes porque tem a maior incidência de chuvas, carreamento de matéria orgânica, aumento da temperatura e a baixa do oxigênio dissolvido”.

Sobre a avaliação técnica feita pela INEA na Lagoa de Araruama, Leonardo Daemon ressaltou: “Tem um processo no Inea que já foi aprovado pela diretoria de recuperação ambiental, que é o desassoreamento do trecho de Iguaba a São Pedro da Aldeia, e vai melhorar um pouco a circulação da água. Em relação ao Canal de Itajuru, eu vou levar urgente esse necessidade para o secretário".
A bióloga Maria Helena Baeta destacou a existência de microalgas na Lagoa 

A bióloga Maria Helena Baeta destacou a existência de microalgas na Lagoa que contribuem para esse fenômeno na região: "Foram feitas análises em diversas praias e a constatação da presença de um fitoflagelado com dois filamentos que entopem as guelras dos peixes, sem falar no aporte de nutrientes da água tratada e no aumento da salinidade que provocam a falta de oxigenação da lagoa. Por isso, é importante a renovação das águas", destacou.

Nesta ocasião, a deputada Marcia Jeovani falou sobre o projeto de lei que trata da criação do frigorífico em áreas pesqueiras para dar suporte aos pescadores locais na conservação de toda a produção durante a entressafra do pescado. A pesca comercial e de subsistência são fundamentais para a economia na regiões litorâneas do estado.

O outro projeto viabiliza o reuso da água tratada não potável despejada na lagoa para as áreas rurais, a fim de beneficiar principalmente os pequenos produtores que sofrem com a estiagem em diversos períodos do ano.

"Já apresentei o projeto de lei nº 198 autorizando o governo estadual a criar os frigoríficos pesqueiros nessas áreas e temos certeza que o governador será sensível a essa causa pela grande necessidade de armazenamento. Encaminhei também o projeto de reutilização dessa água tratada nas áreas rurais para o avanço da agricultura familiar", disse a deputada.

Representantes das Secretarias Estaduais de Pesca e Ambiente, Inea, Fiperj (Fundação Instituto de Pesca do Rio), Consórcio Intermunicipal Lagos São João, concessionárias, secretários municipais, vereadores, biólogos e colônias de pescadores participaram do debate sobre a situação lagunar.





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